Arina, rainha dos astros e sóis Que nos aquece e jamais esquece Quem ama, se da tarde os atóis Se inundam, eis que singela se oferece E declama, como à luz de sua chama, nos tece.
E nos tem, sob protecção e tutela Quando ao troar das trombetas liberta O passado de seu túmulo e ao tempo acerta Dando ao futuro o acumulo duma janela Aberta, lente virtual que nos modela Em alerta acenado A deus Erguendo as mãos aos céus Como Ela.
Dez dedos que são os nossos Com outros dez que são os seus, Depondo no alfabeto águas e ossos Qual Xis a bailar ondeando véus De gazes, de tules, de seda rosada Estampados dédalos e labirintos Cujas pétalas desenhadas camada A camada, nos instruem os instintos Nos sete sentidos da rosa desfolhada:
Olhar de pétala, lábios de veludo Táctil cálice cuja sépala escuta A concha do mar a degustar o escudo No registo do Outro que tão-só executa A empatia ao semear-nos pelo mundo.
E assim, água ardente vertida de oceano Em oceano, sistema de líquido contínuo Irriga-nos de sangue todo o ano Por uma gota de momento exímio E exíguo no equilíbrio suserano De dois triângulos unidos pelo vértice Da língua, enlaçadas margens do cálice Na máxima míngua do estremecido ápice.
Comunhão do poder entre géneros Acesos raios aquilinos do Sol universal Onde o abraço resoluto das sementes e sócios Gémeos nascidos da mesma luz na espiral Em que os ócios merecidos são do labor igual Além de mais igualmente da natureza – os números Que põem e dispõem, ordenam o nível Entre o lido e o por ler, o eterno e o perecível; Entre o terreno e o espiritual, a matéria e o imortal
Indiferente aos males do mundo, o melro continua a cantar a sua ária. Há, por momentos, quem o consiga ouvir para lá do ruído, e então a tempestade amaina (às vezes com arco-íris).
Vigésimo Cálice
ResponderEliminarArina, rainha dos astros e sóis
Que nos aquece e jamais esquece
Quem ama, se da tarde os atóis
Se inundam, eis que singela se oferece
E declama, como à luz de sua chama, nos tece.
E nos tem, sob protecção e tutela
Quando ao troar das trombetas liberta
O passado de seu túmulo e ao tempo acerta
Dando ao futuro o acumulo duma janela
Aberta, lente virtual que nos modela
Em alerta acenado A deus
Erguendo as mãos aos céus
Como Ela.
Dez dedos que são os nossos
Com outros dez que são os seus,
Depondo no alfabeto águas e ossos
Qual Xis a bailar ondeando véus
De gazes, de tules, de seda rosada
Estampados dédalos e labirintos
Cujas pétalas desenhadas camada
A camada, nos instruem os instintos
Nos sete sentidos da rosa desfolhada:
Olhar de pétala, lábios de veludo
Táctil cálice cuja sépala escuta
A concha do mar a degustar o escudo
No registo do Outro que tão-só executa
A empatia ao semear-nos pelo mundo.
E assim, água ardente vertida de oceano
Em oceano, sistema de líquido contínuo
Irriga-nos de sangue todo o ano
Por uma gota de momento exímio
E exíguo no equilíbrio suserano
De dois triângulos unidos pelo vértice
Da língua, enlaçadas margens do cálice
Na máxima míngua do estremecido ápice.
Comunhão do poder entre géneros
Acesos raios aquilinos do Sol universal
Onde o abraço resoluto das sementes e sócios
Gémeos nascidos da mesma luz na espiral
Em que os ócios merecidos são do labor igual
Além de mais igualmente da natureza – os números
Que põem e dispõem, ordenam o nível
Entre o lido e o por ler, o eterno e o perecível;
Entre o terreno e o espiritual, a matéria e o imortal
Indiferente aos males do mundo, o melro continua a cantar a sua ária. Há, por momentos, quem o consiga ouvir para lá do ruído, e então a tempestade amaina (às vezes com arco-íris).
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