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sábado, 30 de janeiro de 2010

O Drama de Um Rio - Ainda o Tâmega


Eutrofização no Tâmega - 5 de Setembro de 2009 - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

(In)digestão - Debate sobre os Impactes Ambientais da Barragem de Fridão

Primeira consideração - O dia e a hora escolhidos para a realização de um debate desta natureza, que se diz querer ser abrangente, não foram os melhores. De facto, este debate promovido pela CMA parece ser mais para inglês ver do que outra coisa qualquer ou o dia escolhido não passaria por ser um dia de semana e não passaria por ser à hora absolutamente inconveniente a que foi marcado, 18 horas, hora a que a esmagadora maioria das pessoas jamais poderia comparecer. Assim pareceu-me que foi mais um "cumprir de calendário" que permitirá ao poder local afirmar que promoveu o debate. O que até "é verdade".

Segunda consideração - O debate não foi esclarecedor. Toda a informação negativa associada a esta construção foi escamoteada, omitida ou adoçada, na primeira intervenção, mais parecendo que a EDP nos fará um enormesco favor em construir a dita barragem e que nós, que nos opomos à sua construção, somos é uns mal agradecidos e que deveríamos era implorar pelas almas dos nossos antepassados, e quiçá pagar à EDP, pela construção da dita, de tal modo o panorama nos foi pintado em vários tons de azul celeste, celeste ou mesmo celestial, mesmo se com erros e incorrecções à mistura, como seja a "migração da Ilha dos Amores" que, coitada, assustada com o processo de eutrofização do Tâmega, resolveu migrar para junto da Ponte Nova. Não a condeno. Se eu fosse Ilha dos Amores, faria exactamente a mesma coisa, caso tivesse a possibilidade de fugir a sete pés daquela pasta verde nojenta, que se agrava a cada Verão que passa, e que é visível por qualquer olho que não seja cego.

Terceira consideração - Um dos responsáveis pelo Estudo de Impacte Ambiental, no que à Fauna diz respeito e que estava presente no debate, ao que parece não encontrou, na sua amostragem, feita na Primavera, com caudais de água elevados, em condições muito difíceis de acesso ao rio, não encontrou, dizia eu, nem lontras nem mexilhões.E eu não pude deixar de pensar, durante esta coisa a que se chamou debate, que nem me espanta que os mexilhões não estivessem visíveis e muito menos estivessem dispostos a deixarem-se apanhar por tal técnico e pensei mesmo mais... pensei mesmo que a verdadeira comunidade de mexilhões éramos quase todos nós, presentes naquela sala, habitantes do fabuloso Vale do Tâmega que agora se pretende destruir por completo.Quanto às lontras... enigma... talvez tenham encolhido de tamanho... talvez se tenham mimetizado com o arvoredo das margens, com a penedia que desponta, aqui e ali, à superfície da água... talvez também tenham fugido... sei lá eu... talvez para a Piscina Municipal que por certo é um lugar mais seguro para lontras...

Quarta consideração - Peço a alguém que tenha estado presente no debate que me ajude a digerir esta informação prestada pelo Professor Rui Boaventura que eu até tenho receio de estar a ficar taralhouca... É verdade que este senhor professor, engenheiro químico de formação, afirmou assim mesmo e sem apresentar quaisquer dados em concreto, que a qualidade da água no Tâmega melhorou com a construção da Barragem do Torrão?E que afirmou desconhecer o processo de eutrofização no Tâmega?Foi isto verdade ou eu estou mesmo a ficar taralhouca?

Quinta consideração - A dada altura afirmou Orlando Borges que, e estou a citar de memória sendo que retive o sentido das suas palavras, jamais o ouvirão dizer que a construção de uma barragem não trará impactes negativos, porque tem, e muitos.Ok, foi apenas um pequeno esclarecimento e eu considero-me esclarecida.

Sexta consideração - Cabe ao moderador de um debate desta natureza, atendendo a que está a lidar com pessoas, algumas das quais vão ser afectadas, de facto, pela construção da dita barragem, sentindo os seus malefícios na pele, ser efectivamente um moderador, moderando aqui e ali, deitando alguma água fria no calor dos argumentos esgrimidos, se for caso disso, estimulando as pessoas a colocarem as suas dúvidas do modo como podem e/ou sabem, comportando-se com elegância e decoro, comportando-se com educação e correcção e jamais o seu contrário.

Sétima consideração - Estou a tentar digerir o espectáculo deplorável a que assisti. Não sei se vou conseguir.

Oitava consideração - Quanto mais observo de perto a actuação de inúmeros políticos mais aprecio alguns cães. Por exemplo os Dálmatas. Excelentes companhias, leais, bem dispostos, meigos, brincalhões, divertidos...

Notas finais - Logo que esteja disponível, caso venha a estar, a gravação deste debate deprimente, colocá-la-ei neste blogue, para que todos os meus leitores possam ver com os seus próprios olhos, e escutar com os seus próprios ouvidos, aquilo que eu vi e escutei hoje.
As fotografias que ilustram este post foram tiradas por mim sem quaisquer malabarismo ou manipulações. Limitei-me a disparar.
O pé visível na fotografia é o meu, sobre a margem esquerda e putrefacta do meu rio. O meu rio é o que eu guardo na minha memória e recuso-me a pactuar calada, em silêncio, com a sua agonia.

Rebloguei : Daqui
Nota: Continuarei, até ao fim, aliada à Anabela Magalhães e a quem defender a água, os rios, o Ambiente, a Terra ...enfim, o Universo. Defendendo-os, defendemos as Pessoas também.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Drama de Um Rio - Ainda o Tâmega

Pintura de Em@ (aguarela com textura)
©
.
Os gritos do rio são verdes
com ecos de odores tristes
.
- Quem me salva...alva...alva?
grita o rio.
- Eu...euu...euuuuuu...
respondem
vozes líquidas de esperança
-num outro tom de verde-
que se avolumam e condensam
numa pedra que rebola
até cair no charco.
.
Será tarde?
.
Começo a contar o tempo
e vejo o tempo passar
no olhar distraído
de quem deixa lavrar o podre
que mata este rio.
.
Quem te fez assim distraído?
Quem te soprou ao ouvido o recado
para não veres e calares?
É a vida , não vês?
que deixas morrer
e que nunca se fará mar?
.
Em@
.
~
O poeta a mijar...
.
Se milagres desejais
Recorrei a São Gonçalo,
O Sócrates leva um abalo
E engole o Tâmega inteiro.
Fica o resto da vidinha
A mijar verde.
Acaba-se com barragens.
Despolui-se o mijado e obrado rio.
Rio eu ‘choa
Numa boa
E o bom Deus
Agradece
Por o deixarem sorrir-se
Das socretinices cretinas mentecaptas
Deste jardinzinho nada
Aprazível
Em que (porque nos abaixamos)
Nos mijam e obram para cima…
.
Ângelo Ochôa

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tâmega- O drama de um Rio

Catástrofe no Tâmega - Tujidos - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
Introdução:
Porque o Ambiente é uma das causas que me é mais cara e a ele junto a Amizade, aqui fica, ipsis verbis, o post da Anabela Magalhães - http://anabelapmatias.blogspot.com/2009/12/politica-nojenta.html.
Amplio a sua difusão junto dos meus leitores e amigos e continuarei ao lado da Anabela e de todos os que defendem o Tâmega, o Ambiente e consequentemente este nosso Planeta.
-
"Política Nojenta

Chegam-me rumores do extremo incómodo, para não lhe chamar outra coisa mais feia, por mim causado a algum triste poder local, para não lhe chamar outra coisa mais feia, que se terá verificado aquando das minhas postagens sobre o estado catastrófico do rio Tâmega.
Ao que parece, nem todos gostaram de ler e, principalmente, nem todos gostaram de ver.
Por acaso as fotografias até nem me saíram nada mal, apesar de eu, enquanto fotógrafa muito mais do que amadora, ter a perfeita noção das minhas limitações e saber que estou mesmo a anos luz de um Eduardo Pinto. Mas, confesso, até gostei delas, esteticamente falando, e só lamentei o objecto fotografado, o incómodo para os meus olhos que foi ver um rio surrealista que ainda hoje mantenho na minha cabeça. Ok, o fedor nauseabundo também não foi nada agradável de sentir e a viscosidade verde do alguedo e o lamaçal preto das margens putrefactas a agarrarem-se às minhas sandalinhas também, confesso, não foi coisa bonita de se ver.
Ora, ao que parece, este não é o problema para esta gente medíocre, para os "palhaços" de que fala Mário Crespo, e, assim sendo, o estado do rio que se lixe. Mas que se lixe mesmo!
Parece até que na cabeça desta gente medíocre enraizou a ideia que o problema por certo se resolverá de uma maneira mui simples - não se fala do assunto e prontus. E prontus!
Ora, ora meus senhores, no lo creo que euzinha "dê mau nome à terra onde nasci e a deixe ficar mal". Até muito pelo contrário. Se por cá esperneasse mais gente do meu calibre por certo, mas por certo, estaríamos bem melhor! Modéstia à parte.
Já agora aproveito para postar uma outra fotografia sobre o desastre ambiental do Tâmega, com silhueta minha, elegante, a contrastar com o alguedo em que se transformou o rio após a construção da Barragem do Torrão. Sublinho - Após a construção da Barragem do Torrão. Pena que não a consiga postar em tamanho gigantesco pois em tamanho gigantesco aproximava-se da verdadeira dimensão da catástrofe ambiental que por aqui se quer silenciada.
Pois posto a fotografia e não a tiro. E também não me calo. Porque a editora do blogue Anabela Magalhães, euzinha, não é pressionável. Sorry. Para vocês, claro. E é verdade, por vezes tropeçam por aqui uns jornalistas abelhudos que parece não se calarem também. Sorry. Para vocês, claro!
E deixo sugestões para actuação:
- Cortar o abastecimento de água cá a casa.
- Meter um batoque no esgoto que sai desta minha casa.
- Cortar o abastecimento de electricidade cá a casa....
- ...
- Encanar o rio, tornando-o invisível. (Esta é boa! E sempre delapida mais uns recursos ao país, coisa que agora passou a estar na moda.)
- ...

Nota/Esclarecimento final

A fotografia é minha, sem truques nem trocadilhos, que foi disparar e já está. Pode ampliá-la clicando sobre ela. Chama-se "Catástrofe no Tâmega" sendo que, nada de confusões, a catástrofe não sou eu.
Percebido? Ou terei que fazer um esquema? "