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segunda-feira, 21 de junho de 2010

As Palavras De José Luís Peixoto sobre as Intermitências da Morte, no Jornal de Letras

Testemunho sobre José Saramago

Todas as palavras

José Luís Peixoto escreve sobre o Nobel, a propósito de As Intermitências da Morte, na edição JL 915, de 26 de Outubro de 2005

A obra de Saramago não precisa das minhas palavras. Os seus livros, imperturbáveis perante todas as vozes exteriores, continuarão sempre a ser espaços onde a história que a humanidade tem conseguido construir continuará a ser revisitada sob o ponto de vista das suas mais diversas regras, lógicas e ilógicas. Nos seus romances, o mundo continuará a ser o espelho apontado à própria humanidade, como se o criador fosse caracte-rizado pela sua obra, da mesma maneira que o escritor deverá, ou deveria, ser caracterizado apenas por aquilo que escreve.
À margem de todas as palavras, Memorial do Convento será sempre um romance histórico inovador no contexto da literatura mundial; O Ano da Morte de Ricardo Reis será sempre um labirinto construído sobre outro labirinto, a forma brilhante, brilhante, como acção se aproxima de um tempo real, a consolidação do autoritarismo em Portugal, alimentando-se da própria acção, a heteronímia; A Jangada de Pedra ou Ensaio sobre a Cegueira continuarão sempre a ser dois dos enredos mais bem imaginados da literatura portuguesa; nas páginas de Evangelho Segundo Jesus Cristo nunca se apagará a descrição detalhada da morte dos mártires, nos primeiros anos do cristianismo.
Eu ou qualquer outra pessoa poderá dizer o que quiser, mas os livros continuam. Nas páginas de Saramago, a vontade e a esperança da humanidade continuarão a ser confrontadas com o peso, tantas vezes esmagador, dessa História que se escreve com maiúscula. A ironia precisa e o mi-nucioso trabalho da linguagem continuarão. O confronto entre o imaginário puro e o realismo continuarão. Totalmente indiferentes aos elogios e a todas as críticas, os livros, imperturbáveis, continuam sempre.

Nota:
Partilhado pelo José Luís Peixoto, na sexta-feira, dia 20 de Junho de 2010, pelas 15:02

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dos (as) Alunos(as)

Desenho de Em@

Ao longo da minha carreira profissional recebi muitos 'recados' de alunos(as). Por este ou por aquele pretexto lá iam aparecendo os bilhetinhos na 'caixa mágica' ou entregues em mão própria no final da aula. Guardo-os, a todos, carinhosamente, num cofre de madeira de pau-santo (muito antigo, que eu sou ecológica ).
Hoje tive a surpresa deste poema da Flávia na caixa de comentários.
Uma menina que entrou na minha vida, numa sala de aula, já lá vão seis ou sete anos.Destacou-se sempre pelo seu brilho próprio, pelo sentido crítico e pela vontade de aprender.Alimentei-lhe (e alimento) estas características à medida das minhas possibilidades. A Flávia já não é minha aluna há muito tempo, mas temos mantido um contacto esporádico e a maioria das vezes através das novas tecnologias.
Desejo a esta menina, hoje uma jovem mulher, o melhor que há neste mundo e no(s) outro(s), porque ela merece.
É bom não passarmos em vão nas vidas uns dos outros e irmos atando laços à medida que vamos fazendo o nosso caminho. A Flávia é um laço de seda, cor de alfazema, que eu tento não desmanchar.
Obrigada, Flávia!
Beijinhos embrulhados em abracinhos para ti, minha doce menina.

EM@

(Recordações...de ti)

~

Aprender a ler.
Aprender a amar.
Aprender a ser igual,
mas também a não o ser.
E sobretudo aprender
a crescer...

Eu consegui!

E tu fizeste parte daquele
caminho que percorri
e também deste que
me encontro a percorrer,
com passos firmes e lentos,
simplesmente porque não tenho
pressa de chegar.

Sempre doce,
sábia,
confiante...
Sempre diferente.

É assim que recordo
a mulher que mesmo 'pequena',
conseguiu a cada momento ser
ALGUÉM tão grande.

(Porque muita coisa envelhece,
acaba e desvanece,
mas as minhas memórias ficam.
ONTEM, HOJE E AMANHÃ).
~
Beijo, Flávia Teodorico